Partindo para o quarto capítulo do livro Fortaleza Digital, observa-se que o enredo do livro é deixado de lado, porém, o autor vai nos prender a atenção ao retratar um ambiente familiar e, para muitos, rotineiro que é a Internet.
O autor nos transporta para uma linha do tempo ao falar sobre esse espaço intangível já nos revelando que apesar do uso em massa desse recurso ter iniciado nos anos de 1980 “A Internet não era uma nova revelação originada dos computadores pessoais, como muitos acreditavam. Havia sido criada pelo Departamento de Defesa dos EUA três décadas antes — uma gigantesca rede de computadores projetada para assegurar as comunicações do governo em caso de uma guerra nuclear.”, portanto, este recurso tão facilitador das nossas vidas é um filho da Guerra Fria com praticamente seis décadas de existência.
Pelo fato de haver uma livre circulação de informações no meio cibernético, a NSA (Agência de Segurança Nacional, sigla em inglês) considerava a interceptação desses e-mails de suma importância já que seu trabalho consiste em fornecer informações para outros órgãos do governo americano (mais detalhes ver o post Fortaleza Digital: NSA origem e importância), de modo que facilite o combate às atividades ilícitas.
No entanto, ao descobrirem que o governo americano tinha como interceptar os e-mails, este fato gerou uma onda de protestos tendo como consequência a codificação por chave pública com o objetivo de tornar os e-mails mais seguros fazendo com que se impulsionasse o desenvolvimento de chaves públicas baseadas em funções fundamentadas na teoria do caos e em múltiplos conjuntos de símbolos.
Conforme se foi compreendendo as quebras dos códigos, foi se desenvolvendo chaves mais complexas fazendo com que na década de 1990 as chaves chegassem a um comprimento de mais de 50 caracteres baseado em um código chamado ASCII permitindo inúmeras combinações. Porém, assim como se desenvolveu chaves para a livre circulação de informações no ciberespaço (criptografia), também houve evolução nas máquinas especializadas em quebrar códigos (criptoanálise).
Com a diversidade dos canais de propagação das mensagens criptografadas. E dos esforços em mostrar alternativas à evolução da criptoanálise, surgiram diversos tipos de criptografia, tais como por chave simétrica, por chave assimétrica, por hash e até a chamada criptografia quântica, esta que se encontra em desenvolvimento. Atualmente, a criptografia é amplamente utilizada na web, em segurança a fim de autenticar os usuários para lhes fornecer acesso, na proteção de transações financeiras e em comunicação.
Com o desenvolvimento da computação quântica, a criptografia atual corre um grande risco, pois, as técnicas criptográficas utilizadas até então são consideradas seguras, já que os computadores atuais não conseguem quebrar o código em um tempo viável (para se ter uma idéia, alguns especialistas afirmam que um PC comum demoraria 100.000 anos para quebrar um código que utiliza chaves de 64bits na criptografia). Porém, os computadores quânticos seriam capazes de resolver problemas como esses em questão de horas, minutos ou até segundos, dependendo da criptografia utilizada, pois ele pode testar simultaneamente diversas possibilidades, reduzindo o tempo gasto de maneira considerável.
Mesmo o TRANSLTR existindo apenas neste best-seller e ainda não existir o computador quântico, se pode imaginar que existam máquinas semelhantes desempenhando essa rápida quebra de chaves de maneira que tudo o que é posto em meio digital é constantemente vigiado e esmiuçado nos proporcionando a falsa sensação de segurança e privacidade, mesmo nos proporcionando simultaneamente a evolução da humanidade: o desenvolvimento da tecnologia.